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Apartamentos em andares mais altos, são mais silenciosos?

mar 1, 2017 | TechTalk

Verdade ou mito?

 

É inegável que o conforto acústico vem se tornando um parâmetro fundamental e decisivo na escolha pelo imóvel ideal. Principalmente nos grandes centros urbanos, tomados pela verticalização das construções e intenso tráfego dos meios de transporte, grande parte dos ruídos causadores de incômodo aos habitantes são provenientes de fontes sonoras externas à edificação.

 

Buscando atenuar o ruído ambiente, muitas pessoas, no momento de escolher um imóvel, optam por apartamentos em pavimento mais elevados. Porém esta sensação de que há menos ruído em pavimentos elevados é mesmo real?

 

 

Nível de pressão sonora incidente no edifício

 

O nível de pressão sonora recebido nas fachadas de um edifício, é dependente do tipo das fontes sonoras presentes no ambiente, de como estão localizadas ou instaladas (diretividade) e do posicionamento destas fontes em relação ao edifício.

 

Diferentes tipos de fontes, emitem sons com espectros diferentes, podendo apresentar mais energia em altas ou baixas frequências. Sua localização e/ou como estão instaladas em relação à superfícies refletoras (diretividade), como o chão, pode variar bruscamente a forma de propagação sonora devido às reflexões. O nível de pressão sonora recebido por um ouvinte é dependente da distância entre ouvinte e fonte sonora, sendo que quanto maior esta distância, menor o nível de pressão sonora recebido. Além disso fenômenos como reflexão, difração e absorção sonora das construções que compõe o meio, determinam como o som proveniente da fonte sonora irá se propagar até a fachada do edifício

 

Com base nestes conceitos, é fácil concluir que para determinar o nível de pressão sonora recebido em um determinado pavimento de um edifício, deve-se avaliar o tipo de fonte de ruído predominante (carros, motos, helicópteros, aviões, trens, máquinas e equipamentos em geral), sua diretividade e a distância a que estas fontes se encontram. Logo, não é correto afirmar que imóveis situados em pavimentos superiores estão expostos a menores níveis de pressão sonora, sem antes analisar as fontes sonoras que compõe o ruído externo da região.

 

Isto pode ser visualizado através de nossos mapas de ruído. No caso exposto abaixo, nota-se que os pavimentos superiores apresentam um nível de pressão sonora mais elevado incidente em suas fachadas. Isto ocorre, pois, o edifício se encontra muito próximo à rota de aviões, que devido ao seu nível de potência sonora e distância do edifício, configuram para este caso, a fonte sonora com maior contribuição para o ruído incidente nas fachadas do prédio.

 

 

 

 

 

Outro caso de estudo em que se pode verificar com mais clareza a complexidade de se determinar o ruído incidente nas fachadas de um edifício é apresentado abaixo. Neste caso, a principal fonte de ruído ambiente é proveniente do tráfego de trens. Existe um muro entre o trem e o edifício. É possível perceber a influência do muro, atuando como barreira acústica, devido ao menor nível de pressão sonora incidente nos pavimentos inferiores. Isto exemplifica, como os fenômenos de reflexão, difração e absorção são considerados no cálculo da propagação sonora.

 

 

 

 

Além dos casos expostos, vale ressaltar que devido ao topo das edificações se apresentarem mais livres de obstáculos e barreiras (como outras edificações quase geminadas que protegem os pavimentos inferiores), os ruídos gerados por fontes sonoras distantes incidem com maior intensidade nos andares mais altos.

 

Com isso, é possível concluir que não necessariamente os imóveis situados em pavimentos superiores são mais silenciosos e que a determinação da incidência sonora nas fachadas do edifício requer um estudo específico, com modelos que considerem com precisão a propagação sonora dos ruídos ambientes.

 

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